terça-feira, fevereiro 11, 2014

AMOR, POIS QUE É PALAVRA ESSENCIAL...


Amor, pois que é palavra essencial

Amor - pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da prórpia vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.


Carlos Drummond

PABLO NERUDA - V


Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.


Pablo Neruda

MINHAS INSPIRAÇÕES: VALEU SANTIAGO ANDRADE!!

Foto: Arquivo pessoal / Rede Bandeirantes / Reprodução(AGÊNCIA GLOBO/AFP, DOMINGOS PEIXOTO)
"Admiro quase todas as profissões. Mas, uma em especial: a dos repórteres cinematográficos. Gente que nasce com a arte da fotografia no sangue e que enxerga tudo melhor do que os outros mortais. Já trabalhei com uns, sou amiga de alguns especiais. E uma coisa eu garanto: quem é bom nesse ofício fica para trás, o mundo da fotografia é para os ótimos. Quando um deles é mandado para um protesto, para uma guerra, para um momento de tensão é que ele deixou ser bom faz tempo. Gosto do jeito que eles veem o mundo, as pessoas, os momentos. Gosto como eles imaginam os textos que sairão de suas imagens e como eles geram textos lindos sem escrever uma linha. E quando alguém fecha os olhos de um repórter cinematográfico eu sinto de verdade, porque a gente perde uma chance de ver o mundo diferente pelos olhos de outra pessoa que vê além do que está ali".
                                                               ( Rúbia Corrêa - redatora, repórter e professora santarena)

OBS: Com esse texto que emprestei do face da minha colega Rúbia Corrêa encerro as postagens, em meu blog,  nesta noite. Apesar da distância me emocionei com o encerramento do Jornal Nacional da Rede Globo. Só quem trabalha na comunicação por amor e paixão sabe do que estou falando. E ao ler esse texto da Rúbia resolvi postar como forma de expressar solidariedade ao nosso colega de profissão. Que ele encontre no céu belas imagens, ângulos, passagens, panorâmicas e em  cada reportagem,  que  ele  seja o repórter cinematográfico do stand up de DEUS,  no papel de repórter! Puxa! Já imaginou  que massa heim Santiago!! Pô, cara e você nem vai mais lembrar da  ignorância  que te levou de nós...

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